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Micropaisagem

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17
Jul17

Gentil Martins - Uma anomalia e a vontade de calar

“Não vou tratar mal uma pessoa porque é homossexual, mas não aceito promovê-la. Se me perguntam se é correto? Acho que não. É uma anomalia, é um desvio da personalidade. Como os sadomasoquistas ou as pessoas que se mutilam.” – Dr. Gentil Martins, Expresso 15/07/2017

 

É uma questão difícil, a da Liberdade de Expressão. Principalmente quando uma opinião se torna polémica e se confunde com o peso institucional de quem a emite, neste caso o médico Gentil Martins.

Concordei desde logo com o médico, tomando o valor da palavra anomalia. O meu raciocínio foi o seguinte:

  • Uma anomalia é o que não é padrão
  • O padrão básico na biologia é a reprodução
  • A reprodução humana necessita da cooperação de feminino e masculino
  • O individuo homossexual procura alguém do mesmo sexo para o ato reprodutor
  • A homossexualidade está fora do padrão biológico da espécie porque não se consegue reproduzir

E fico por aí. Se homossexuais houver que consigam ser felizes com essa anomalia, melhor para eles. Sou pela sua liberdade. Defendo que possam viver como considerem melhor.

Já a deputada Isabel Moreira tomou a opinião do médico como algo perigoso.

 

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Assim, propõe uma denúncia à Ordem dos Médicos, aparentemente porque as declarações violam a deontologia médica. Em que medida é que o fazem? Não fiquei a saber. Para tentar perceber tive de procurar outras referências ao assunto. Não foi esclarecedor. O mais aproximado que cheguei, penso eu, foi aqui, por Ana Matos Pires, a psiquiatra que vai fazer a queixa à Ordem dos Médicos. Todavia, não foi possível estabelecer ainda assim uma ligação, tendo em conta os dois pontos que apresenta:

1 - À luz do conhecimento atual a homossexualidade não é uma doença psiquiátrica. 
2 - A homossexualidade como "desvio da personalidade" é mais grave. É um erro científico.

Qual o conhecimento atual? Fiquei sem ter uma explicação, por mínima que fosse, o mesmo acontecendo com a afirmação acerca da homossexualidade como desvio de personalidade ser um erro científico.

Naveguei então por outras páginas e em nenhum consegui encontrar uma justificação, o não quer dizer que não existam, claro. Vou continuara a tentar saber mais.

Encontrei várias vezes, isso sim, ligações das declarações de GM ao conceito de crime de ódio e a refutação para as suas palavras na não avaliação da homossexualidade como doença desde 1974 pela OMS. No primeiro caso, a extrapolação é absurda porque GM não está a dizer que um homossexual é inferior e deve ser punido pela sua orientação sexual (não estamos na Palestina, por exemplo). No segundo, o médico não fala em doença, mas em anomalia, como já referi, o que é uma coisa diferente.

Chega assim a segunda parte do post de Isabel Moreira, em que esta diz que estas declarações «têm consequências negativas, graves, gravíssimas, se passam como “se nada fosse!”. Chega!”» E quando diz que “Chega!” está a ditar uma vontade. Parece-me que o que quer dizer é que o médico não pode dizer o que pensa.

Mais: implicando que já existiram muitas opiniões semelhantes antes desta, a deputada está a dizer que é preciso proibir definitivamente as pessoas de dizerem coisas como aquelas que GM disse. E isto já é outra coisa. Não bastasse o uso parvalhão e manipulador das palavras, tão típico de quem está ligado à política (“graves, gravíssimas”), assim como havendo “consequências negativas” não se sabendo para que plano ou para quem (sim, até que ponto é que a partir de dia 15, data da entrevista, a condição dos homossexuais mudou para uma situação pior?), como também indicia a nova realidade em que vivemos por causa da estupidez ditatorial do Politicamente Correto, um cerceador da liberdade de expressão e, acima de tudo, um anulador de direitos e diferentes cosmovisões. Escudados no seu Bem Maior, que retira a individualidade aos que pensam de forma diferente, constroi-se uma narrativa que, como neste caso, passa de discutível a indiscutível (e por isso capaz de originar punição). E isto é bem mais perigoso para a sociedade do que um médico referir como opinião pessoal a homossexualidade como anomalia. quanto a mim, claro. É só uma opinião.

 

 

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