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Micropaisagem

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05
Jul17

Dentro do poço da Dignidade

Nem de propósito, e ainda pensando nas palavras deste meu texto, surge esta notícia de um estudo acerca de quanto deve ser o salário para se viver com dignidade.

Como não encontrei no texto o que o estudo entende por dignidade, recorri ao dicionário Priberam.

  1. Qualidade de digno.
  2. Modo digno de proceder.
  3. Procedimento que atrai o respeito dos outros.
  4. Brio; gravidade.
  5. Cargo ou título de alta graduação.

 

O que leva à definição de digno

 

  1. Merecedor, credor, benemérito.
  2. Brioso; pundonoroso; honrado; correcto.
  3. Ilustre; grande; nobre.
  4. Hábil; capaz.
  5. Merecido; correspondente ao merecimento; proporcionado.

Poderá ser que a moral de cada um esteja dependente do ordenado que se ganha. Um pobre está justificado na sua imoralidade, seja ela qual for, porque, enfim, não tem dinheiro.  O que deixa no ar a questão de proporcionalidade. Se o dinheiro nos torna pessoas melhores, o caso dos banqueiros e gestores trafulhas deveria ser, no mínimo, estudado.

Parece ser óbvio que a definição dos académicos e dos políticos terá de ser outra. Qual? Não se sabe. Podemos intuir? Podemos. É isso que eles querem? É: os consumidores e eleitores devem intuir, viver numa névoa de impressões em que as palavras possam ir sendo usadas para justificar trabalho científico produzido ou declarações eficazes em frente das câmaras de televisão.

“Dignidade”, na boca de político é um poço sem fundo. Por mais dignidade que haja, esta nunca será suficiente, o que, curiosamente, é o que se diz acerca do dinheiro. Aprendi isto com palavras de um comentador profissional (DO) que, falando acerca das férias que os portugueses mereciam ter, disse que os únicos subsídios de férias dignos eram aqueles que permitiam às pessoas viajar para o estrangeiro. Imagino que, se isso fosse atingido, a dignidade passaria a estar alocada a viagens de férias intercontinentais. E porquê parar aí? O subsídio de férias digno poderá um dia ser aquele que permite passar temporadas no Espaço. 

A dignidade de hoje é a indignidade de amanhã. Basta os preços subirem, que é o que costuma acontecar quando há mais dinheiro a circular.

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