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Micropaisagem

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07
Jul17

Dar um pontapé nesse mito literário

                 E, passados 7 anos e meio, vamos ao cinema. Duas crianças, agora com 7 e com 3 anos, têm sido a razão do adiar dessa atividade de que tanto gostamos. Não nos podemos queixar. Afinal, é a melhor razão de todas.

                 Ter filhos foi o fim de alguns hábitos autocentrados. Se formos responsáveis, alguns aspetos da vida ou se extinguem ou entram em hibernação devido a sermos pais. As saídas noturnas são um exemplo, assim como a suspensão de alguns hobbies ou, até mesmo, aquilo que se pode considerar vocações.

                A minha vocação, aquilo que gosto mesmo de fazer com o meu tempo livre, é escrever ficção. Escrevi o meu primeiro romance antes do nascimento da criança mais velha. Uma editora acreditou nele e pude realizar o meu sonho. A mesma casa publicou o segundo, que demorou cerca de 5 anos a escrever. Tive de optar por não o desenvolver como idealmente gostaria porque, simplificando, não tinha tempo nem cabeça. É que desde que a criança mais nova nasceu, as noites mal dormidas são a norma e uma cabeça cansada não se safa no organizar, burilar e imaginar. Escrever ficção com exigência não é fácil e esse livro, apesar de achar que é um bom livro, parece-me um resumo do que deveria ser. Decidi que só voltaria a escrever a sério quando achasse que tinha as condições certas. A. A frustração não faz bem ao coração.

                Agora o tempo voltou a aparecer, lento, sorridente, conforme elas vão dando menos trabalho. Como com o cinema, o espaço para escrever já chegou e, se bem que com parcimónia, tem-se vindo a instalar. Deitar-me cedo, acordar às 5, e escrever 2 horas e meia antes das crianças acordarem, é algo que tem acontecido com maior frequência. Permito-me voltar a assumir um projeto que, como é óbvio, e como de cada vez que estou a escrever algo longo, será a  minha obra prima.

                Voltei, portanto, a uma parte da minha vida. Só que agora estou acompanhado de gente pequena que me enriquece e que me ensinou o mais importante: a escrita (ou qualquer vocação) deve sair do tempo que a vida nos oferece.  As conversas do tipo mito literário de se sacrificar tudo à arte são treta. Primeiro a vida, o amor e a responsabilidiade. Depois, a vocação.

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