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Micropaisagem

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03
Set17

Esquerda, volver sempre!

Em dois dias, o fortalecimento da razão de nunca mais votar na extrema esquerda.

Numa entrevista ao DN conduzida por Fernanda Câncio, sim por Fernanda Câncio, esse exemplo de imparcialidade intelectual e política mais conhecida por ter sido a namorada ingénua de Sócrates, Mariana Mortágua diz que não vê nada de mal na recomendação da CIG acerca dos livros de exercícios da Porto Editora. "Para que crianças de quatro anos não fossem expostas a um material que achamos que não cumpre os critérios. Se aquele material fosse racista acho que não havia esta polémica. Incomoda-me quando se usa a questão da liberdade de expressão e da liberdade de sociedade para tentar manter opressões. "Porque eu tenho liberdade de ser sexista" - não, não, desculpa, não tens". Mais à frente defende a liberdade individual como uma espécie de principio, mas não dá para acreditar. Quer dizer, dá para acreditar que ela tem um discuros tonto que se contradiz à força toda. Na minha opinião, o BE no governo seria um multiplicar de proibições/recomendações contra materiais que eles acham que não cumprem os critérios alargados a tudo o que fosse uma chatice para os seus sonhos húmidos de engenharia social.

 

Já hoje, o camarada Jerónimo disse, na festa do Avante, que o "imperialismo norte-americano" é o "responsável por uma criminosa escalada de confrontação que, a não ser travada, conduzirá a Humanidade à catástrofe", referindo-se à questão nuclear na Coreia do Norte. Disse ainda que "A URSS e o sistema socialista marcaram as conquistas e avanços históricos conquistados durante o século XX pelos trabalhadores e os povos na sua luta de emancipação social e nacional. O seu desaparecimento representou um imenso recuo para as forças da paz e do progresso social, nos direitos dos trabalhadores e na soberania dos povos." Se a segunda declaração pode ser tomada só como um desvairo, uma espécie de uivo enlutado toldado pela melancolia, já a primeira não engana na sua capacidade socialista clássica de redefinir a realidade, ou eliminar liberdades, desde que isso sirva o que eles chamam de Revolução. Não me iludo. O PCP no governo mandaria matar milhares. Sim, estes mentecaptos prenderiam e matariam milhares.

 

Penso ainda nos artistas que ao atuarem na festa do Avante apoiam as ideias políticas que nele correm. António Zambujo, Rui Veloso, Gisela João, João Gil e Manuela Azevedo a assinarem por baixo deste tipo de discurso é uma ideia curiosa. Não fazia ideia de que para eles a Coreia do Norte e a URSS sejam exemplos de paraísos sociais.

 

Bom, talvez exagere. Talvez seja eu que preze demais a Liberdade. Talvez uma boa parte dos meus compatriotas tenha razão em não a ter assim em tão boa conta, pelo menos os vinte e tal por cento que votaram nestes dois partidos.

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